Estudo da Fiocruz mostra alta adesão à PrEP injetável e menor incidência de HIV
PrEP injetável apresenta adesão alta e menor incidência de HIV, segundo estudo da Fiocruz.
A importância da PrEP no combate ao HIV
A profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, é uma estratégia vital na luta contra o HIV. Ela é destinada a pessoas que não são portadoras do vírus, mas que estão em risco de se expor ao HIV. A PrEP é um método preventivo eficaz, permitindo que os indivíduos que a utilizam se protejam de uma possível infecção, reduzindo significativamente as chances de contrair o vírus. O estudo mais recente da Fiocruz, que mostra uma adesão impressionante à PrEP injetável, reforça a importância dessa abordagem na saúde pública, apresentando um novo horizonte para a prevenção no Brasil.
Resultados do estudo da Fiocruz: uma nova era
Uma pesquisa liderada pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) foi publicada na revista "The Lancet HIV" e demonstrou uma adesão de 90,8% aos participantes que optaram pela PrEP injetável, que utiliza cabotegravir. Comparativamente, a adesão à PrEP oral foi significativamente menor, com apenas 35,5% dos dias de acompanhamento cobertos por essa forma de profilaxia. O estudo acompanhou 1.201 participantes em seis capitais brasileiras até outubro de 2025.
Os resultados foram impactantes, pois foram registradas apenas 3 novas infecções em pessoas que usaram cabotegravir, em contraste com 18 infecções observadas entre os que utilizaram a PrEP oral. Este dado sublinha não apenas a eficácia da PrEP injetável, mas também como uma mudança nas opções de prevenção pode levar a melhores resultados de saúde.
Comparação entre PrEP injetável e oral
A principal diferença entre as duas formas de PrEP reside na forma como são administradas. A PrEP oral exige que os usuários tomem um comprimido diariamente, o que pode tornar-se um desafio de adesão para muitos. Por outro lado, a PrEP injetável, que requer aplicações a cada dois meses após as doses iniciais, oferece uma alternativa mais conveniente, reduzindo a frequência de interações e possíveis esquecimentos.
| Tipo de PrEP | Frequência de uso | Adesão (%) | Novas infecções registradas |
|---|---|---|---|
| PrEP injetável | A cada 2 meses | 90,8 | 3 |
| PrEP oral | Diariamente | 35,5 | 18 |
Esta comparação revela a eficácia potencial da PrEP injetável, não apenas na prevenção do HIV, mas também na melhoria da adesão entre grupos em risco.
O perfil dos participantes da pesquisa
O estudo ImPrEP CAB Brasil incluiu diversidade em seu público-alvo, com a participação de homens gays, homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não binárias e indivíduos trans, todos com idades entre 18 e 30 anos. Os participantes foram recrutados em seis capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador. O fato de incluir grupos com alta vulnerabilidade ao HIV é crucial para entender a efetividade da PrEP em diferentes contextos e necessidades. A pesquisa também fornece dados sobre a aceitação do tratamento entre populações que historicamente enfrentam barreiras ao acesso à saúde.
Como o cabotegravir funciona na prevenção
O cabotegravir é um antirretroviral injetável que age bloqueando a capacidade do HIV de se replicar no corpo. Ao administrá-lo de forma periódica, cria-se uma proteção continua do organismo contra a infecção. A natureza do tratamento injetável oferece um nível elevado de eficácia, dado que a aplicação é supervisionada e é menos suscetível a falhas de aderência comparado ao uso diário de comprimidos.
Essa efetividade é evidente nos dados de incidência de novas infecções relatadas no estudo, onde a taxa encontrada foi de apenas 0,20 casos por 100 pessoas ao ano para os usuários do cabotegravir. Isso contrasta fortemente com a taxa de novas infecções observadas entre usuários da PrEP oral, que foi de 1,48 casos por 100 pessoas ao ano.
Expectativas sobre a inclusão no SUS
Diante dos resultados positivos, o Ministério da Saúde iniciou a discussão sobre a inclusão do cabotegravir no Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde anunciou um acordo de preço para a compra do medicamento, e a proposta para sua inclusão na rede pública foi submetida à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A expectativa é que este tema seja discutido em outubro, abrindo caminho para que mais pessoas tenham acesso a essa ferramenta pré-exposição à infecção pelo HIV.
É fundamental que os gestores de saúde considerem não apenas a eficácia do medicamento, mas também os aspectos econômicos envolvidos na implementação, a fim de garantir acesso igualitário à população em risco. As reuniões mensais da Conitec indicam que o processo será acompanhado por uma abordagem criteriosa, que considera evidências científicas, custos e o impacto no contexto da saúde pública brasileira.
Desafios na implementação da PrEP injetável
A inclusão da PrEP injetável no SUS não está isenta de desafios. Entre eles, destacam-se:
- Educação e conscientização: É essencial que os profissionais de saúde estejam capacitados para promover e explicar a PrEP injetável aos pacientes. Isso inclui desmistificar qualquer receio e esclarecer como o tratamento funciona, destacando sua eficácia e a importância da continuidade.
- Logística de distribuição: A PrEP injetável requer um sistema de distribuição eficaz, onde há compromisso em oferecer as aplicações no tempo estipulado. A logística deve ser bem planejada para alcançar populações em áreas remotas.
- Supervisão médica: Para garantir a adesão ao tratamento e monitorar possíveis efeitos colaterais, consultas regulares devem ser integradas ao acompanhamento dos pacientes.
Estes desafios são passos fundamentais para consolidar a PrEP injetável como uma política pública eficaz e acessível.
Impacto na saúde pública e epidemiologia
O impacto da PrEP injetável no combate ao HIV pode ser revolucionário. Se implementada de forma eficaz, essa estratégia poderia levar a uma drástica redução das novas infecções, contribuindo para o controle generalizado da epidemia de HIV no Brasil.
Além disso, com a adesão crescente ao tratamento, poderá haver uma diminuição significativa na carga sobre o sistema de saúde pública no tratamento de infecções já estabelecidas. A prevenção é o caminho mais econômico e saudável de lidar com epidemias. O estudo da Fiocruz proporciona um horizonte promissor, onde a combinação de opções de profilaxia pode garantir proteção a maiores segmentos da população.
Testemunhos de participantes do estudo
Os relatos dos participantes do estudo ImPrEP CAB Brasil são fundamentais para entender a experiência e a aceitação da PrEP injetável. Muitos mencionam a facilidade do regime de injeção em comparação com a responsabilidade de lembrar-se de tomar um comprimido diariamente. Isso é um aspecto positivo e encorajador para potenciais usuários da PrEP injetável.
Os participantes também destacaram a importância do apoio contínuo dos profissionais de saúde, que ajudaram a desmistificar o tratamento e a compreender como ele se ajusta às suas rotinas diárias. Esses testemunhos revelam a necessidade de um acompanhamento empático e informativo, essencial para o sucesso da prevenção no ato de implementação.
O futuro da profilaxia pré-exposição no Brasil
O futuro da PrEP no Brasil se mostra promissor. Com a possível inclusão do cabotegravir no SUS, há uma oportunidade única de ampliar o acesso à prevenção do HIV, especialmente para jovens e grupos de risco. A combinação de tratamentos em saúde pública, quando geridos corretamente, pode transformar a realidade de muitos, oferecendo a possibilidade de viver sem o estigma e o medo do HIV.
O engajamento de organizações governamentais e não governamentais será crucial para garantir que a informação sobre a PrEP injetável seja amplamente distribuída e que as barreiras ao acesso sejam eliminadas, assegurando um sistema de saúde mais robusto e inclusivo para todos os cidadãos.


