Ministério da Saúde aponta aumento expressivo de atendimentos por vício em apostas no SUS
Apostas online crescem e Ministério da Saúde alerta sobre vícios.
Cenário atual das apostas online
O crescimento das apostas online no Brasil tem sido alarmante. Nos últimos anos, a popularidade dessas atividades aumentou consideravelmente, com mais de 25 milhões de brasileiros se envolvendo em apostas em 2025. Esse aumento é acompanhado por uma série de desafios, especialmente em relação à saúde mental dos apostadores.
Os tipos de apostas disponíveis variam desde jogos de cassino até apostas esportivas, e a acessibilidade proporcionada pela internet faz com que muitos se sintam atraídos por essas práticas. A facilidade de acesso a plataformas de apostas impressiona, sendo estimado que cerca de 18% da população adulta esteja envolvida em algum tipo de jogo de azar.
- Apostas esportivas
- Jogos de cassino
- Loterias online
O crescimento no setor também trouxe à tona preocupações sobre o vício em jogos.
Impacto sobre a saúde mental
O efeito das apostas online na saúde mental é evidente, conforme revelado por dados do Ministério da Saúde. Desde 2021, o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionado a vícios em jogos online aumentou em aproximadamente 140%. Muitas pessoas buscam tratamento depois de perceberem que não conseguem controlar seus hábitos de apostas.
Um exame desses dados aponta que, no mês mais recente em análise, mais de 500 mil pessoas formalizaram requisições para excluir suas contas em plataformas de apostas, demonstrando uma busca por ajuda e o reconhecimento do problema.
Os sintomas e efeitos colaterais do vício em jogos incluem:
- Ansiedade
- Depressão
- Problemas financeiros
- Dificuldades nos relacionamentos
Esses aspectos ressaltam a urgência de abordar o problema em nível governamental e social.
A legislação em debate
A crescente demanda por regulamentação neste setor levou a um debate acalorado entre os parlamentares. O Projeto de Lei 1.808/26, que visa proibir as apostas online, está sendo discutido na Comissão de Desenvolvimento Econômico. Vários deputados, entre eles Vander Loubet (PT-MS), afirmam que o país precisa de medidas rígidas para proteger a população do vício.
A proposta reflete um movimento de maior controle sobre as plataformas de apostas, além de buscar a regulamentação da publicidade, que constantemente apresenta esses jogos como fonte de lucro fácil.
Principais pontos do projeto
- Proibição das apostas online
- Regulamentação da publicidade de jogos
- Criação de diretrizes para a operação das plataformas
Iniciativas de autoexclusão
O Ministério da Fazenda introduziu uma ferramenta de autoexclusão, que permite que os apostadores possam se retirar das plataformas e interromper suas atividades de jogos de forma voluntária. Esta iniciativa foi crucial para atender a um número crescente de pessoas que reconhecem o vício.
Isso inclui testes de autoavaliação que ajudam os usuários a medir seu nível de dependência antes de acessar serviços de atendimento mental. A falta de regulamentação anterior durante a pandemia exemplificou o crescimento desenfreado do setor, o que contribuiu para o aumento dos casos de dependência.
A resposta do governo
Os órgãos governamentais, como o Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda, estão cada vez mais unidos na luta contra práticas prejudiciais relacionadas às apostas. Segundo Marcelo Dias, representante do Ministério da Saúde, o governo desenvolveu um atendimento online por meio da plataforma Meu SUS Digital, que oferece suporte a quem enfrenta problemas com jogos.
"A situação atual é como uma tempestade perfeita; a combinação de aumentos na oferta de apostas e a falta de restrições durante a pandemia criou um cenário propício ao vício", afirmou Dias. O governo também busca identificar características manipulativas em jogos que estimulam a participação continua do apostador.
O papel do SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) tem um papel fundamental no tratamento de dependentes de apostas. Com o aumento significativo dos atendimentos, os serviços de saúde mental estão ganhando um foco maior, permitindo que os indivíduos que lutam contra o vício possam encontrar o suporte necessário.
O SUS não apenas oferece tratamento, mas busca conscientizar a população sobre os riscos envolvidos nas apostas. Além disso, a visão do governo é baseada na construção de políticas públicas que abordem a questão de forma integrada.
Perfil dos apostadores no Brasil
Dados recentes mostram que o perfil dos apostadores no Brasil é predominantemente masculino, abrangendo faixas etárias entre 18 e 50 anos. Esse grupo, por sua vez, enfrentou perdas financeiras médias de aproximadamente R$ 38 bilhões no ano anterior.
- 18 milhões de homens apostando
- 5 milhões de mulheres apostando
- Média de perdas de R$ 38 bilhões em 2025
Diante desse cenário, é evidente a necessidade de intervenções direcionadas a esse perfil específico, com foco em educação e proteção.
Dados preocupantes sobre dependência
Os números de dependentes de apostas são alarmantes. O aumento significativo nos casos demanda uma urgente atenção das autoridades.
- 140% de aumento no atendimento por vícios em apostas online
- Mais de 500 mil pedidos de autoexclusão em um mês
Essas estatísticas sublinham a necessidade de se implementar ações efetivas para coibir e apoiar aqueles que sofrem com essa dependência.
Perspectivas futuras
A regulamentação futura e as ações do governo prometem uma abordagem mais cautelosa e responsável em relação às apostas online. Em meio a essa discussão, espera-se que novas políticas possam surgir para proteger os cidadãos, principalmente os mais vulneráveis.
Além disso, desenvolver uma legislação que promova a educação sobre apostas e seus riscos pode resultar em uma sociedade mais informada.
Possíveis mudanças esperadas
- Implementação de novas regulamentações
- Melhorias nas plataformas de autoexclusão
- Aumento da conscientização sobre saúde mental
A discussão sobre proibição
A análise sobre a proibição das apostas online levanta questões sobre a liberdade individual e a necessidade de proteção. Enquanto muitos defendem a proibição como uma forma de impedir o vício, outros argumentam que uma regulação adequada poderia permitir a prática de forma responsável.
À medida que o debate avança, o papel da sociedade civil, das organizações de saúde e das autoridades será essencial para moldar o futuro das apostas no Brasil. A necessidade de construir um entendimento equitativo e eficaz sobre o potencial de prejuízos deve guiar as decisões futuras.
A discussão é complexa, e será necessário um diálogo contínuo entre todos os envolvidos para atingir um equilíbrio saudável entre a liberdade pessoal e a proteção da saúde pública.


