Quimioembolização avança no SUS, mas acesso ainda é desigual
Quimioembolização no SUS revela desigualdade no acesso entre estados brasileiros.
O que é quimioembolização?
A quimioembolização é uma técnica avançada empregada na radiologia intervencionista para tratamento de câncer, especialmente o do fígado. Esse procedimento envolve a introdução de um cateter em uma artéria, que é guiado até os vasos que irrigam o tumor. Uma vez na posição correta, aplicações de medicamentos quimioterápicos são feitas diretamente sobre a lesão, acompanhadas de um agente embólico, que tem como função interromper o fluxo sanguíneo que nutre o tumor.
- Objetivo: Concentrar o tratamento diretamente na área afetada.
- Indicações: Frequentemente indicada para casos em que o câncer não pode ser removido cirurgicamente.
- Benefícios: Menor invasividade em comparação a cirurgias tradicionais, com um tempo de recuperação mais ágil e possível melhoria na qualidade de vida do paciente.
Crescimento das internações no SUS
De 2015 a 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um total de 13.599 internações para o procedimento de quimioembolização devido a carcinoma hepático. Essa quantidade reflete um crescimento no acesso a esse tratamento dentro do sistema público de saúde.
A seguir, o número de internações anuais para quimioembolização:
| Ano | Número de internações |
|---|---|
| 2015 | 968 |
| 2016 | crescimento |
| 2017 | crescimento |
| 2018 | crescimento |
| 2019 | 1.348 |
| 2020 | 1.177 (pandemia) |
| 2021 | crescimento |
| 2022 | crescimento |
| 2023 | crescimento |
| 2024 | 1.528 |
| 2025 | 1.304 |
Embora o total de internações tenha crescido, a distribuição do acesso ao tratamento é desigual, com a maioria ocorrendo em regiões específicas do país.
Desigualdade regional no acesso
O acesso ao tratamento de quimioembolização é irregular no Brasil, com 74% das internações ocorrendo em apenas cinco estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná. Esta concentração levanta preocupações sobre a equidade na saúde.
Distribuição das internações por estado
- São Paulo: 5.274 internações (38,8% do total).
- Rio Grande do Sul: 2.025 internações (14,9%).
- Minas Gerais: 1.079 internações (7,9%).
- Pernambuco: 912 internações (6,7%).
- Paraná: 776 internações (5,7%).
Por outro lado, a região Norte experimentou uma das situações mais alarmantes, com apenas 30 internações no mesmo período, o que representa 0,2% do total em nível nacional. Estados como Acre, Amazonas e Amapá não registraram internações durante todo o período analisado.
Dados de internações no Norte e Sul
A comparação entre as regiões do Brasil revela disparidades marcantes. A região Sul e Sudeste se destacam no total de procedimentos realizados, enquanto o Norte fica significativamente atrás, refletindo barreiras de acesso à saúde que muitos pacientes enfrentam.
- Total de internações na Região Norte: 30 internasões (Rondônia: 20, Pará: 8).
- Regiões com maior número de internações: Sudeste (52%), Sul (23,7%), Nordeste (21,9%).
Comparativos de movimentação de pacientes
Em relação à movimentação de pacientes do Norte em busca de tratamento, 181 internações foram registradas para moradores da região, sendo seis vezes mais do que as 30 internas realizadas dentro da região.
Aqui estão os cinco estados líderes
A concentração de internamentos nos cinco estados mencionados não é apenas uma questão de números; ela também reflete a disponibilidade de profissionais e infraestrutura adequada para a realização do procedimento.
- São Paulo: Quase 4 em cada 10 internações registradas no país.
- Rio Grande do Sul: Aproximadamente 1 em cada 7 internações.
- Minas Gerais: Sétimo maior estado em número de internações, mas ainda abaixo do esperado.
- Pernambuco e Paraná: Outros dois estados que contribuem significativamente para o total de internações.
A falta de infraestrutura em estados menos favorecidos limita ainda mais o acesso a esse procedimento vital.
A importância do acesso à saúde
O acesso à quimioembolização e a outros tratamentos oncológicos é crucial para que os pacientes tenham melhores prognósticos. A ampla disparidade entre estados evidencia não apenas uma necessidade, mas uma urgência na expansão das capacidades e do suporte à saúde.
- Equidade no tratamento: Toda a população merece acesso igualitário a tratamentos essenciais.
- Falta de profissionais: A escassez de profissionais treinados para realizar quimioembolização é um fator limitador, afetando especialmente estados com menos investimentos em saúde.
O papel do SUS na oncologia
O SUS é essencial para a saúde pública no Brasil, oferecendo tratamentos que poderiam ser inacessíveis para muitos, caso dependessem apenas do sistema privado, que possui custos elevados. No contexto da oncologia, o SUS tem se esforçado para melhorar o acesso aos tratamentos mais recentes, como a quimioembolização, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
- Programas de ampliação: O governo federal, por meio de programas de saúde, busca expandir a rede de atendimento oncológico.
- Centros especializados: A criação de mais centros de oncologia com estruturas adequadas é crucial para atender a demanda crescente.
Desafios enfrentados por pacientes
Os pacientes que necessitam de quimioembolização enfrentam uma série de desafios que vão além do tratamento em si. As seguintes barreiras são frequentemente citadas:
- Distância física: Muitos pacientes precisam viajar longas distâncias para acessar centros de tratamento, aumentando os custos e dificultando o encaminhamento.
- Acompanhamento pós-tratamento: Após a quimioembolização, o acompanhamento contínuo é necessário, mas a logística muitas vezes se torna um obstáculo.
- Falta de informação: A desinformação sobre os direitos e disponíveis tratamentos é um agravante que impacta a saúde do paciente.
Vozes dos especialistas sobre o tema
Especialistas em oncologia e radiologia intervencionista têm expressado suas preocupações sobre a atual situação do acesso à quimioembolização no Brasil, ressaltando a importância da estruturação do sistema.
Ramon Andrade de Mello, oncologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, afirma que o tratamento deve ser parte de um plano mais amplo de cuidados. Ele destaca que, para que a quimioembolização seja eficaz, é vital que pacientes sejam avaliados por uma equipe multidisciplinar que inclua oncologistas, radiologistas e hepatologistas. Outros especialistas, como Lucas Moretti Monsignore, presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular, também reforçam que a infraestrutura atual deve ser ampliada para garantir o atendimento adequado aos pacientes.
O futuro da quimioembolização no Brasil
O futuro da quimioembolização no Brasil depende da expansão contínua e da equalização no fornecimento de acesso a essa terapia crítica. Os avanços contínuos na tecnologia médica e no treinamento de profissionais desempenham um papel central na possibilidade de abordar as disparidades no acesso.
- Aumentar a capacidade: Promover a formação de mais especialistas em radiologia intervencionista.
- Reforço na atuação do SUS: Expandir os centros de referência e equipar hospitais locais com os sistemas necessários para oferecer tratamentos em larga escala.
- Integração de serviços: Estabelecer parcerias e fluxos de trabalho entre diferentes regiões para melhorar o encaminhamento de pacientes.
Essa abordagem colaborativa e integrada pode transformar significativamente o cenário do tratamento oncológico no Brasil, garantindo que todos os pacientes tenham a oportunidade de receber cuidados essenciais e, assim, melhorar os resultados no tratamento de câncer.


