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SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes dos sintomas

SUS adota novo exame para câncer de intestino, aumentando chances de diagnóstico precoce.

Sergio Marques
SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes dos sintomas

O que é o teste FIT?

O teste FIT (Teste Imunoquímico Fecal) é um exame de fezes desenvolvido para detectar a presença de sangue oculto. Essa condição pode ser um sinal de problemas preocupantes, como pólipos, lesões pré-cancerígenas ou até mesmo câncer no intestino. Este teste é particularmente voltado para homens e mulheres na faixa etária de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas.

Como funciona o teste FIT?

O FIT utiliza anticorpos específicos para identificar o sangue humano nas amostras. Ao contrário de exames antigos que apenas buscavam sangue oculto, essa abordagem proporciona maior precisão e sensibilidade, tornando-o uma ferramenta eficaz para o rastreamento do câncer de intestino.

Quem deve realizar o exame?

A recomendação é que o teste FIT seja realizado por:

  • Homens e mulheres de 50 a 75 anos que estão assintomáticos.

No entanto, aqueles que apresentem sinais de alerta, como:

  • Sangue nas fezes
  • Perda de peso inexplicada
  • Anemia
  • Alterações persistentes nos hábitos intestinais
  • Dor abdominal devem buscar atendimento médico, independentemente da idade.

Pacientes com histórico familiar de câncer, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas podem precisar iniciar o rastreamento antes dos 50 anos, conforme avaliação médica.

Importância do diagnóstico precoce

Detectar o câncer de intestino em estágios iniciais é crucial para o sucesso do tratamento. O câncer colorretal é considerado o segundo câncer mais comum no Brasil e, o diagnóstico precoce pode impactar significativamente a sobrevida. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que a cada ano, o Brasil deve registrar 53,8 mil novos casos entre 2026 e 2028.

Os programas de rastreamento, como o introduzido pelo SUS, visam ampliar a detecção precoce, salvando vidas e reduzindo o número de óbitos relacionados à doença. A mortalidade por câncer de intestino está diretamente relacionada à capacidade de diagnosticar e tratar a doença em sua fase inicial.

Vantagens do teste FIT em relação a métodos antigos

Comparado a métodos tradicionais, o teste FIT oferece diversas vantagens:

  • Menos invasivo: O procedimento não requer colonoscopia, o que é um fator de desconforto para muitos pacientes.
  • Preparação simplificada: Não há necessidade de dieta restritiva ou preparo intestinal, tornando o teste mais acessível.
  • Amostra única: Pode ser realizado com uma única amostra de fezes, facilitando a coleta.
  • Maior adesão: Com um teste menos invasivo e mais fácil, a expectativa é que mais pessoas participem dos programas de rastreamento.
  • Sensibilidade elevada: O teste mostra uma sensibilidade entre 85% e 92%, o que aumenta a probabilidade de detecção de alterações significativas.

Estimativas de novos casos de câncer de intestino

As previsões do Inca indicam um aumento de novos casos nos próximos anos, com 53,8 mil registros esperados anualmente até 2028. Essa estatística reflete a necessidade urgente de investimentos em prevenção e diagnósticos mais abrangentes, como o uso do teste FIT.

AnoNovos Casos Estimados
202653,8 mil
202753,8 mil
202853,8 mil

Impacto do novo protocolo no SUS

A implementação do novo protocolo, que adota o teste FIT como método padrão para rastreio de câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS), pode impactar positivamente a saúde pública. O acesso a mais de 40 milhões de brasileiros ao teste aumentará a detecção precoce da doença, que hoje é uma das mais prevalentes no Brasil.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a medida visa ampliar o acesso à saúde preventiva no país e contribuir significativamente na luta contra o câncer de intestino.

O papel do paciente no rastreamento

É fundamental que os pacientes estejam cientes da importância do rastreamento regular. O autoconhecimento e a busca por exames preventivos, mesmo na ausência de sintomas, são essenciais para a detecção precoce de possíveis problemas de saúde. O teste FIT é uma ferramenta crucial nesse aspecto e todos devem ser incentivados a realizá-lo conforme as diretrizes.

O que fazer em caso de resultado positivo?

Caso o teste FIT apresente resultado positivo, o paciente será encaminhado para exames complementares, sendo a colonoscopia o método padrão utilizado para seguir com a investigação. A colonoscopia permite a visualização direta do cólon e do reto, podendo até mesmo retirar pólipos durante o exame, o que ajuda a prevenir o desenvolvimento do câncer.

É importante lembrar que um resultado positivo não é sinônimo de câncer; condições como hemorroidas e inflamações intestinais podem causar a presença de sangue nas fezes. Portanto, um diagnóstico definitivo deve ser realizado por um profissional de saúde.

Desafios para a implementação do exame

Embora a adoção do teste FIT represente um avanço significativo, há diversos desafios a serem superados para garantir sua eficácia:

  • Capacidade do sistema de saúde: É essencial que haja uma infraestrutura adequada para a realização e interpretação dos resultados dos testes. O rastreamento eficaz depende de um sistema de saúde que possa fornecer suporte rápido e eficaz para pacientes com resultados alterados.
  • Acesso a tratamentos complementares: A resposta do sistema de saúde deve incluir não apenas o rastreio, mas também a capacidade de realizar colonoscopias e fornecer tratamento adequado a pacientes com resultados positivos.
  • Educação e conscientização: A população deve ser educada sobre a importância do rastreamento e de buscar cuidados médicos quando necessário. A promoção da saúde e da prevenção deve ser uma prioridade para diminuir a taxa de mortalidade por câncer de intestino.

Com a introdução do teste FIT e o comprometimento em assegurar que os pacientes recebam atendimento adequado após a triagem, espera-se uma redução significativa na mortalidade causada pelo câncer de intestino no Brasil.

Autor
Sergio Marques

Sergio Marques

Técnico em guia de turismo; Estudante de Jornalismo, editor e revisor.

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