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Teste genético que identifica risco hereditário de câncer de mama chega ao SUS

Teste genético para câncer de mama chega ao SUS e pode salvar vidas.

Sergio Marques
Teste genético que identifica risco hereditário de câncer de mama chega ao SUS

O que é o teste genético?

O teste genético que está sendo introduzido no Sistema Único de Saúde (SUS) é um exame avançado que identifica mutações específicas nos genes BRCA1 e BRCA2. Esses genes estão relacionados ao aumento do risco de câncer de mama e de ovário. O exame pode ser realizado através de uma amostra de sangue ou saliva, facilitando o acesso e a realização do teste.

Importância da detecção precoce

Detectar mutações genéticas precocemente é crucial para a saúde das mulheres que já foram diagnosticadas com câncer de mama. O conhecimento sobre a predisposição genética pode influenciar decisões sobre tratamentos e estratégias de prevenção. A identificação de um risco hereditário permite que pacientes e profissionais de saúde planejem o tratamento de maneira mais adequada, potencialmente melhorando as taxas de sobrevivência e a qualidade de vida.

Como funciona o teste

O teste genético funciona analisando o DNA da pessoa para identificar se existem mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. O procedimento é simples:

  • Coleta de uma amostra de sangue ou saliva.
  • Envio da amostra para um laboratório especializado.
  • Análise do material genético para detecção de alterações.
  • Resultados são disponibilizados para o médico responsável, que interpretará as implicações e informará a paciente sobre os resultados.

Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2

As mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 são variantes que podem levar a um aumento significativo no risco de se desenvolver câncer de mama e ovário. Mulheres que apresentam essas alterações têm:

  • 55% a 72% de chance de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.
  • 40% a 60% de chance de desenvolver câncer de ovário. Com esse conhecimento, é possível que especialistas em oncologia ofereçam opções de acompanhamento ou intervenções preventivas, como cirurgias profiláticas.

Quem pode realizar o exame

O teste está disponível para mulheres que já foram diagnosticadas com câncer de mama. A intenção é investigar se a condição é de origem genética. Além disso, outros critérios que podem qualificar a paciente para o exame incluem:

  • Histórico familiar de câncer de mama ou ovário.
  • Diagnóstico de câncer em idade precoce.
  • Presença de múltiplos tumores na mesma paciente.

Impacto na escolha do tratamento

Os resultados do teste podem impactar diretamente as escolhas de tratamento. Como explicado por Gélcio Luiz Quintella Mendes, coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (Inca), entender o perfil genético de cada paciente pode abrir portas para:

  • Tratamentos menos agressivos.
  • Cirurgias que preservem mais tecido saudável.
  • Decisões informadas sobre o uso de quimioterapia ou mesmo a possibilidade de não precisar dela, dependendo da mutação encontrada. Essa personalização no tratamento oferece maior esperança de sucesso e recuperação para as pacientes.

Risco para familiares

Um dos aspectos importantes do teste genético é que as mutações podem ser herdadas. Assim, se uma mulher foi diagnosticada com uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, isso também pode indicar um risco elevado para seus familiares. Isso significa que:

  • Parentes em primeiro grau, como irmãs e filhas, podem ter uma chance aumentada de desenvolver câncer.
  • Testes também podem ser oferecidos a esses familiares para determinar seu próprio risco e adotar medidas de prevenção, se necessário.
  • A detecção precoce em familiares pode incluir medidas como a vigilância aumentada e estratégias profiláticas, como cirurgias preventivas.

A implementação no SUS

O SUS está atualmente preparando a oferta desse teste em suas unidades. A expectativa é que o exame esteja disponível para as pacientes até novembro deste ano. Ele será oferecido sem custo para as mulheres que já são portadoras do diagnóstico de câncer de mama, promovendo um acesso mais democrático ao conhecimento sobre seu próprio risco genético.

Comparação com a rede privada

Atualmente, o teste genético para identificar o risco de câncer de mama é mais amplamente disponível na rede privada. Isso resulta em uma desigualdade no acesso a serviços de saúde de qualidade. A implementação do teste no SUS é um passo significativo para garantir que mulheres de todas as classes sociais tenham acesso a essa importante ferramenta de saúde. No setor privado, a realização do teste pode ser custosa, fazendo com que muitas mulheres não consigam realizá-lo devido a barreiras financeiras.

Depoimentos de pacientes beneficiadas

Pacientes como Lorrayne Raysla da Silva, que se submeteram ao teste em clínicas particulares, relatam experiências transformadoras. Após descobrir a presença de mutações genéticas em seu histórico familiar, decidiram se submeter a uma mastectomia preventiva: "Após o exame, decidimos retirar as duas mamas para evitar o câncer no futuro". Essa decisão foi tomada após a confirmação de que seu histórico familiar continha muitos casos da doença.

A chegada desse teste ao SUS promete mudar vidas e capacitar muitas mulheres a fazer frente ao câncer de mama com um conhecimento mais aprofundado sobre suas predisposições genéticas. Essa nova oferta não apenas apoia diretamente as pacientes diagnosticadas, mas também pode servir como uma ferramenta de alerta para as suas famílias, potencializando as estratégias de prevenção e aumentando as chances de detecção precoce.

Autor
Sergio Marques

Sergio Marques

Técnico em guia de turismo; Estudante de Jornalismo, editor e revisor.

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