Um ano depois: o que mudou com o Agora Tem Especialistas
Agora Tem Especialistas: descubra o que mudou no SUS e os desafios que persistem.
Introdução ao programa Agora Tem Especialistas
Em maio do último ano, o governo federal lançou o programa Agora Tem Especialistas, uma das iniciativas principais do Ministério da Saúde para abordar um dos problemas mais sérios do Sistema Único de Saúde (SUS): a dificuldade de acesso a médicos especialistas. Pacientes frequentemente se vêem aguardando por meses ou até anos para conseguir consultas com especialistas como oftalmologistas e cardiologistas. O programa visa reduzir essas filas e melhorar a qualidade do atendimento.
Impacto inicial nas filas do SUS
Os primeiros resultados do programa foram considerados encorajadores. O aumento na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas em diversos estados indica que a iniciativa está cumprindo seu objetivo inicial. Apesar disso, médicos e especialistas opinam que a situação ainda carece de melhorias significativas, frisando que o Brasil carece de um sistema que permita medir de forma efetiva o tamanho da demanda reprimida.
Aumento da participação da rede privada
Uma das estratégias do Agora Tem Especialistas foi a ampliação da contratação de prestadores de serviços privados. Atualmente, mais de 70% dos atendimentos especializados no SUS são realizados por instituições privadas. O governo decidiu não apenas aumentar o número desses contratos, mas também revisar a tabela de remuneração para procedimentos, resultando em aumentos significativos que podem chegar a até 300% em relação aos valores anteriores. Essa mudança visou estimular a participação de hospitais que, anteriormente, não encontravam viabilidade nos valores pagos pelo SUS.
Mudanças na gestão de atendimentos
Além de aumentar a colaboração com a rede privada, o programa introduziu mecanismos para simplificar o atendimento aos pacientes. Mudanças históricas na forma como os cuidados são geridos foram propostas, com foco na integração dos serviços, evitando que os pacientes enfrentem o desgaste de múltiplas consultas separadas.
Resultados positivos no acesso à saúde
Os dados do Ministério da Saúde revelam que, desde o lançamento do programa, houve um crescimento considerável na quantidade de procedimentos realizados: em 2025, foram feitas 14,9 milhões de cirurgias eletivas, o que representa um aumento de 42% em relação a 2022. As consultas especializadas e exames também apresentaram números expressivos: 1,6 bilhão de consultas e 1,3 bilhão de exames realizados. Os mutirões realizados em saúde, especialmente voltados para a saúde da mulher, também tiveram impacto positivo, mobilizando mais de 200 hospitais e promovendo 230 mil atendimentos em um único fim de semana.
Desafios ainda enfrentados pelos pacientes
Apesar do crescimento nos números, a realidade para muitos pacientes ainda é desafiadora. Especialistas apontam que o tempo de espera continua a ser um problema nas áreas críticas do SUS. Os relatos de pacientes que esperam meses ou anos por atendimento ainda são comuns, destacando que a implementação do programa, por mais encorajadora que tenha sido, ainda não atingiu um padrão satisfatório para todos os cidadãos.
A importância da Telessaúde
A Telessaúde, uma das iniciativas do programa, é crucial na tentativa de reduzir as filas e melhorar o acesso a cuidados de saúde. Essa plataforma permite consultas a distância, facilitando o encaminhamento imediato para atendimentos que podem ser realizados virtualmente. Essa abordagem moderna é especialmente pertinente em situações onde o deslocamento do paciente é demorado e os recursos são escassos.
Mudanças na forma de encaminhamentos
Outra inovação do Agora Tem Especialistas foi a introdução da Oferta de Cuidado Integrado (OCI). Esse modelo busca acabar com a fragmentação do atendimento, oferecendo aos pacientes pacotes que incluem consultas, exames e retornos na mesma especialidade. Essa abordagem reduz a necessidade de múltiplas idas e vindas entre serviços, aumentando a efetividade no tratamento.
O papel das dívidas de hospitais
O programa também permite que hospitais filantrópicos ou privados endividados com a União regularizem suas situações em troca de oferecer serviços ao SUS, como cirurgias e consultas. Essa medida foi implementada para aumentar rapidamente a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente da contratação de novos profissionais na rede pública.
Perspectivas futuras para o SUS
Embora o Agora Tem Especialistas tenha mostrado avanços, especialistas defendem que o modelo continua a apresentar limitações estruturais. O orçamento destinado à saúde pública ainda é uma preocupação central, visto que a atenção especializada requer financiamento adequado. Para que os resultados positivos se mantenham, é crucial que o governo avalie constantemente o progresso e busque assegurar que os investimentos necessários sejam realizados de maneira consistente.
Com as mudanças implementadas e o compromisso com a ampliação da rede de atendimentos, espera-se que o SUS se torne cada vez mais apto a atender as necessidades de sua população de forma eficaz e eficiente.


