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Após recusa por preço alto, Novo Nordisk tenta de novo incluir semaglutida no SUS com caneta por menos da metade do valor

Semaglutida pode ser incorporada ao SUS com preços reduzidos pela Novo Nordisk.

Sergio Marques
Após recusa por preço alto, Novo Nordisk tenta de novo incluir semaglutida no SUS com caneta por menos da metade do valor

O que é a semaglutida?

A semaglutida é um medicamento frequentemente utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Essa substância atua no sistema nervoso central, ajudando a controlar a saciedade e a redução do apetite. Especificamente, a semaglutida imita a ação de um hormônio denominado GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1), que é crucial na regulação do apetite e na secreção de insulina após as refeições.

Histórico do pedido no SUS

A Novo Nordisk, a fabricante do medicamento, já havia tentado anteriormente incluir a semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS), mas o pedido foi negado em agosto de 2025. Naquela ocasião, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) rejeitou a proposta devido ao custo elevado associado à incorporação, que poderia alcançar até R$ 3,7 bilhões ao longo de cinco anos. A alta dos preços foi um fator determinante para essa recusa.

Desconto e novas propostas

Recentemente, a Novo Nordisk apresentou uma nova proposta ao SUS, agora com um desconto significativo de 59% em relação aos preços anteriores. Essa nova oferta é uma estratégia para superar a barreira financeira que impediu a aceitação do medicamento anteriormente. Os preços apresentados incluem:

  • 0,25 mg a 1,0 mg: R$ 396,88 por dose;
  • 1,7 mg: R$ 594,49 por dose;
  • 2,4 mg: R$ 764,64 por dose.

Esse ajuste nos preços tem como objetivo não só facilitar a inclusão da semaglutida no SUS, mas também tornar o tratamento mais acessível a uma população que lida com problemas de obesidade.

Impacto da semaglutida na saúde pública

A obesidade é um problema crescente no Brasil, afetando mais de 25% da população. Os especialistas acreditam que a inclusão da semaglutida no SUS pode trazer um impacto significativo na saúde pública, proporcionando uma alternativa eficaz de tratamento. Atualmente, o SUS oferece como única opção a cirurgia bariátrica, que é limitada devido ao alto número de pacientes na fila de espera. Essa situação é ainda mais crítica em alguns estados, onde o tempo de espera pode ultrapassar um ano.

Estudo com pacientes do SUS

Com o novo pedido de inclusão, o Ministério da Saúde anunciou que iniciará um estudo para avaliar os efeitos da semaglutida em pacientes atendidos pelo SUS. O estudo está programado para ocorrer no Grupo Hospitalar Conceição, localizado na região Sul do Brasil. A intenção é documentar a eficácia do tratamento e verificar sua aplicação prática na rede pública. Esse estudo é considerado um passo vital para a possível incorporação do medicamento no SUS e visa entender melhor o impacto da medicação na saúde dos pacientes.

Como funciona o tratamento com semaglutida?

O tratamento com semaglutida é administrado por meio de uma caneta pré-cheia, permitindo doses precisas para os pacientes. O mecanismo de ação envolve a redução do apetite e um atraso no esvaziamento gástrico, resultando em uma diminuição significativa na ingestão calórica. Isso não só ajuda na perda de peso, mas também melhora a condição de pacientes com diabetes tipo 2, contribuindo para melhor controle glicêmico.

Resultados esperados da inclusão

Com a inclusão da semaglutida no SUS, espera-se que pacientes com obesidade tenham acesso a um tratamento efetivo que vá além das opções tradicionais disponíveis. Além disso, a redução nos custos de tratamento correlacionados a comorbidades ligadas à obesidade, como diabetes e doenças cardiovasculares, poderia aliviar a pressão sobre o sistema de saúde pública.

Espera-se que a semaglutida não apenas ajude os pacientes a perder peso, mas também a melhorar a qualidade de vida e reduzir a incidência de doenças crônicas relacionadas à obesidade.

Desafios enfrentados pela Novo Nordisk

A Novo Nordisk enfrenta atualmente alguns desafios, além do preço. A empresa precisa convencer a Conitec da eficácia e da necessidade do medicamento no SUS. Isso envolve não só apresentar dados de estudos, mas também demonstrar a viabilidade econômica do tratamento a longo prazo. O histórico de recusa da propuesta anterior ainda pode influenciar as decisões da comissão.

Conitec e a avaliação da tecnologia

A Conitec desempenha um papel crucial na inclusão de novos medicamentos no SUS, pois é responsável por avaliar a eficácia, segurança e custo-benefício dos tratamentos propostos. Para a semaglutida ser aprovada, a comissão precisa analisar não apenas os dados fornecidos pela Novo Nordisk, mas também compará-los com os tratamentos existentes, considerando o que o sistema de saúde pode suportar financeiramente. A avaliação pode levar tempo e a falta de um prazo definido adiciona uma camada de incerteza sobre quando o medicamento poderá estar disponível.

Futuro do tratamento da obesidade no SUS

O futuro do tratamento da obesidade no SUS pode melhorar de forma significativa se a semaglutida for aprovada. Se incorporado, esse medicamento abriria portas para um tratamento mais abrangente e acessível, proporcionando aos pacientes uma alternativa eficaz para lutar contra a obesidade. Isso poderia ser um marco na saúde pública, com potencial para reduzir taxas de obesidade e suas consequências para a saúde em toda a população brasileira.

A luta da Novo Nordisk para incluir a semaglutida no SUS é um exemplo de como a indústria farmacêutica e o sistema público de saúde podem trabalhar juntos em busca de soluções eficazes na luta contra doenças crônicas. Com o aumento da conscientização sobre a obesidade e suas consequências, o momento é oportuno para revisar e adaptar as opções de tratamento disponíveis para todos os brasileiros.

Autor
Sergio Marques

Sergio Marques

Técnico em guia de turismo; Estudante de Jornalismo, editor e revisor.

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